Alerj discute venda do Maracanã e inclusão de Engenhão, Novo Rio e Central do Brasil

Maracanã

O debate sobre a venda do Maracanã voltou a movimentar a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quarta-feira (12). O projeto de lei complementar nº 45/2025, que autoriza a alienação do estádio e de outros 60 imóveis do governo estadual, foi retirado de pauta após receber 80 emendas parlamentares. Entre as novas propostas, há pedidos para ampliar a lista de bens e também para excluir o estádio da relação.

Uma das emendas, apresentada pelo deputado Alexandre Knoploch (PL), propõe a inclusão de mais seis imóveis públicos no texto: o Estádio Nilton Santos (Engenhão), a Rodoviária Novo Rio, a Central do Brasil, o Terminal Américo Fontenelle, a Rodoviária Roberto Silveira (em Niterói) e o terminal de Nova Iguaçu. Segundo o parlamentar, a ampliação poderia gerar cerca de R$ 1,5 bilhão adicionais aos cofres do estado, elevando a estimativa total do projeto para cerca de R$ 6,5 bilhões.

Por outro lado, o Maracanã segue como o ponto mais polêmico da proposta. Uma emenda supressiva, de autoria do deputado Luiz Paulo (PSD), pede a retirada do estádio da lista de bens a serem vendidos. “O Maracanã é patrimônio do estado e da União, tombado historicamente e símbolo do Rio de Janeiro. Nenhum valor paga o que ele representa. É como se a Inglaterra quisesse vender o Estádio de Wembley”, afirmou o parlamentar.

Outro ponto sensível do texto é a inclusão da Aldeia Maracanã, ocupação indígena localizada ao lado do estádio. A deputada Marina do MST (PT) defendeu a exclusão da área, argumentando que o espaço está em disputa judicial e abriga famílias em situação de vulnerabilidade. “Esses imóveis não podem ser vistos apenas como ativos financeiros. É preciso considerar sua função social. A venda da Aldeia é injusta e ignora a realidade das famílias indígenas”, destacou.

Durante a sessão, ativistas em defesa da Aldeia Maracanã acompanharam a votação nas galerias da Alerj, com faixas e chocalhos em protesto. A deputada reforçou que o objetivo de sua emenda é garantir que o espaço seja reconhecido como área de preservação cultural e social.

Além dessas alterações, o deputado Rodrigo Amorim (União), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apresentou uma emenda para reincluir na lista de alienação o prédio ocupado há 31 anos pelo grupo Tortura Nunca Mais, em Botafogo. O local abriga atividades de acolhimento e memória das vítimas da ditadura militar, e a proposta de venda tem sido criticada por entidades de direitos humanos.

O projeto, que ainda pode receber novas emendas até esta quinta-feira (13), será reavaliado pela CCJ antes de retornar ao plenário. A discussão sobre a venda do Maracanã e de outros imóveis promete seguir como um dos temas mais controversos da agenda legislativa fluminense nas próximas semanas.

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