Agentes de saúde vendiam Mounjaro ilegal do Paraguai, diz polícia

Duas agentes comunitárias de saúde foram alvo de mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira, suspeitas de vender lotes do medicamento Mounjaro trazidos ilegalmente do Paraguai para o comércio no Brasil sem o controle sanitário oficial.

Esquema de venda ilegal envolvia remédio importado sem controle

A investigação foi conduzida por policiais da 18ª Delegacia de Polícia de Brazlândia, durante a Operação Última Dose. O objetivo da ação é desmontar o comércio clandestino de medicamentos de alto custo que entram no país pelas fronteiras sem pagar impostos e sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

As investigadas usavam a função pública na rede de atenção básica para criar laços de confiança e facilitar o contato com compradores. O Mounjaro tem o princípio ativo tirzepatida e é indicado para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, mas sua venda irregular coloca vidas em risco porque o transporte não segue a refrigeração obrigatória.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes recolheram materiais e aparelhos que vão passar por perícia técnica. A polícia busca entender como o produto atravessou a divisa com o Paraguai, quem financiou as viagens e quais intermediários ajudaram a distribuir as caixas.

O que já se sabe sobre o caso

De acordo com os autos da investigação policial, as duas mulheres adquiriam o remédio em território paraguaio e revendiam para pessoas interessadas em emagrecimento rápido. A polícia apura se outros profissionais da saúde participavam indicando compradores.

A polícia confirmou que o material apreendido será periciado para atestar se o conteúdo dos frascos é verdadeiro, se foi diluído ou se é totalmente falsificado. A responsabilização criminal de cada envolvida depende do laudo técnico e da confirmação de crime contra a saúde pública, contrabando ou descaminho.

Até o fechamento desta reportagem, a defesa das duas investigadas não havia sido localizada para apresentar esclarecimentos sobre as buscas. O espaço segue aberto para posicionamento oficial das partes envolvidas.

Os perigos do medicamento sem procedência

Remédios injetáveis como a tirzepatida precisam de controle rígido de temperatura entre dois e oito graus durante todo o trajeto, desde a fábrica até a aplicação. Quando o produto viaja em bagagens comuns ou no porta-malas de carros, a substância química se decompõe e perde totalmente a eficácia terapêutica.

Além de não surtir o efeito desejado na saúde do paciente, o produto mal conservado pode gerar infecções graves, choques anafiláticos e intoxicações agudas. O uso sem prescrição médica detalhada também pode mascarar doenças crônicas no fígado e no pâncreas.

A orientação de especialistas em saúde pública é direta: nenhuma medicação para controle de peso deve ser comprada pela internet, por aplicativos de mensagens ou de pessoas físicas que prometem preços muito abaixo do valor tabelado pelas farmácias legalizadas.

Como denunciar a venda clandestina

Quem souber de esquemas de venda ilegal de remédios controlados ou sem registro sanitário no Rio de Janeiro pode fazer a denúncia anônima ao Disque Denúncia pelo telefone 2253-1177, que atende 24 horas por dia, inclusive pelo aplicativo do serviço. O sigilo do denunciante é garantido por lei em todas as etapas.

Também é possível registrar alertas diretamente na ouvidoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária por meio do site anvisa.gov.br ou ligando gratuitamente para a central de atendimento pelo número 0800 642 9782, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 19h30.

Se você suspeita de profissionais que atuam na rede pública vendendo remédios particulares, procure imediatamente a Ouvidoria Geral do Município de onde o fato ocorreu ou compareça à delegacia de polícia civil mais próxima para prestar depoimento.

O que fazer se você comprou produto suspeito

A pessoa que comprou medicação fora de farmácia regularizada não deve aplicar o produto sob nenhuma hipótese. O primeiro passo é interromper qualquer uso e guardar a caixa original, a bula e o frasco com o número do lote para apresentar às autoridades policiais.

Leve o material à delegacia de polícia civil do seu bairro para lavrar um boletim de ocorrência e ajudar a rastrear a cadeia criminosa de revenda. Para quem reside no Estado do Rio, o pré-registro pode ser iniciado online pelo portal da Delegacia Eletrônica (dedic.pcerj.rj.gov.br) para casos de estelionato ou crime contra as relações de consumo.

Caso tenha feito aplicação de medicamento de origem duvidosa e sinta enjoo forte, vômito, tontura ou dor abdominal intensa, procure imediatamente uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou emergência hospitalar do Sistema Único de Saúde, informando aos médicos exatamente o que foi injetado.

Foto: Metropoles

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