A advogada Larissa Ferrari, que acusa Payet de agressão física, psicológica e sexual, ainda não conseguiu a concessão de uma medida protetiva. Mesmo com parecer favorável do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o processo sofreu um novo impasse após o órgão declinar competência, alegando que os supostos crimes teriam ocorrido no Paraná — decisão contestada pela vítima.
Segundo Larissa, os fatos ocorreram no Rio de Janeiro, onde ela morava e trabalhava à época, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, próximo à residência do jogador do Vasco. A Justiça, no entanto, apontou falta de comprovação documental da residência da vítima na cidade. A advogada afirma que anexou comprovantes, incluindo pagamentos de cursos e termo de guarda dos filhos, transferidos ao pai para que ela pudesse se mudar para o Rio.
“Não faço mais viagens, recebi propostas de outros trabalhos no Rio de Janeiro, mas não fui por medo. Me sinto muito presa a todo esse receio da frase do Dimitri que mais me marcou, ‘que em qualquer lugar do mundo ele poderia mandar alguém’. Hoje meu maior foco era voltar a morar no Rio, mas parece que em todo lugar estou em perigo. Não consigo mais me sentir em paz (…) A minha vida parou”, desabafou Larissa, em reportagem ao jornal Extra.
O processo, que estava sob análise do 7º Juizado da Violência Doméstica, foi remetido ao Tribunal de Justiça do Paraná, em União da Vitória. Esta é a segunda vez que o caso sofre mudança de jurisdição. A defesa de Larissa considera a medida prejudicial e vê risco à segurança da cliente diante da ausência de proteção legal.
“A defesa da Sra. Larissa vem, por meio desta, manifestar profunda preocupação com a recente decisão judicial que determinou novo declínio de competência ao Tribunal de Justiça do Paraná — o segundo no curso deste processo —, enquanto a vítima segue desassistida quanto ao seu legítimo pleito por medidas protetivas de urgência (…) Infelizmente, diante das violências sofridas e das ameaças proferidas pelo agressor, a vítima, temendo por sua integridade física, precisou retornar às pressas à sua cidade natal, sem sequer recolher seus pertences pessoais do imóvel em que vivia”, afirmou a nota assinada por Pedro Pontes, do escritório Jorge Vacite Neto Advogados.
Em depoimento prestado na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), em Jacarepaguá, Payet negou as acusações. O jogador alegou que o relacionamento era consensual, baseado em práticas sadomasoquistas. Declarou que usava coleiras, cordas e outros acessórios, e relatou, inclusive, que Larissa teria solicitado práticas envolvendo urina.
Larissa, por sua vez, afirmou que os atos deixaram de ser consensuais e passaram a ser usados como forma de punição por parte do jogador. Ela também revelou que sofre de transtorno de personalidade borderline, e que Payet teria se aproveitado dessa vulnerabilidade emocional.
“Não vejo a hora de voltar para o Rio de Janeiro, mas a distância do meu apartamento para a casa dele é tão pequena, que eu não vou voltar. Eu estou agoniada. Estou aqui sem poder fazer nada, sem poder voltar para o meu trabalho, parada esperando alguma coisa acontecer. Parece que a vida se movimenta, mas eu estou aqui, inerte”, disse Larissa, em reportagem ao jornal Extra.
A advogada passou por duas perícias físicas e uma psicológica. A primeira, realizada em 1º de abril, apontou hematomas causados por “ação contundente”, sem determinar a origem exata das lesões. A segunda, feita no dia 8 de abril pela Polícia do Paraná, identificou cicatrizes na perna direita, glúteo e coxa esquerda.
A defesa de Larissa continua tentando reverter a decisão judicial e garantir a concessão das medidas protetivas. O caso ainda aguarda novo parecer da Justiça do Paraná.














