Advogados do Banco Master Tentaram Acordo Bilionário com a AGU e Foram Recusados
Uma proposta de acordo que poderia ter evitado a crise financeira do Banco Master, de Daniel Vorcaro, foi apresentada à Advocacia-Geral da União (AGU). A iniciativa partiu dos advogados Camilla e Gabriel Ramos, que representam o banco em processos que envolvem bilhões de reais em precatórios do setor sucroalcooleiro. No entanto, a resposta do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, foi um veto imediato.
A AGU declarou total ausência de interesse em discutir qualquer acordo referente aos supostos prejuízos causados ao setor sucroalcooleiro nas décadas de 1980 e 1990. A decisão de Messias se alinha com a recente comemoração do cancelamento de R$ 4,7 bilhões em precatórios, que ele classificou como “fraudulentos”, com devolução dos valores aos cofres públicos.
A matéria foi divulgada pelo Metrópoles, que detalhou a tentativa de acordo. O encontro entre os representantes do Master e a AGU ocorreu em 8 de setembro de 2025, um período crítico para o banco, que já enfrentava forte instabilidade. O escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos (QVQR), contratado pelo Master, buscou a audiência com a AGU em meados de agosto de 2025, com o objetivo de negociar um acordo em ações indenizatórias contra a União Federal.
Proposta de Acordo e a Crise do Banco Master
O e-mail enviado por Gabriel Ramos à AGU detalhava o interesse em “realizar acordo, em nome de nosso cliente, em ações indenizatórias ajuizadas contra a União Federal por usinas do setor sucroalcooleiro, que se encontram em fase de Cumprimento de Sentença”. O cliente em questão era o Banco Master, que na época vivia uma intensa crise de liquidez. O banco possuía precatórios com valor de face de, no mínimo, R$ 8,5 bilhões, sem previsão de recebimento a curto prazo.
A complexidade para o recebimento desses precatórios reside em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2020. Na ocasião, acatando manifestação da União, o STF determinou que as usinas precisariam comprovar o prejuízo econômico de forma individualizada, por meio de perícia contábil e balanços da época. Essa comprovação, mais de 30 anos depois, tornou-se um desafio significativo.
AGU Veta Acordo e Aponta Irregularidades
Para a AGU, ainda existe uma relevante controvérsia judicial sobre a comprovação dos prejuízos alegados pelas usinas. Por essa razão, a União considera que não há motivo para discutir qualquer tipo de acordo. Além disso, em diversos processos, a AGU tem questionado a legitimidade do Banco Master para atuar no polo ativo dessas ações, dificultando ainda mais a negociação.
Até o final de 2024, o Banco Master detinha precatórios de pelo menos 12 usinas distintas. O processo comum envolvia a compra dos créditos por fundos, passando pela Entrepay – empresa utilizada por Daniel Vorcaro para pagamentos a terceiros – e, posteriormente, chegando ao balanço do banco. A tentativa de acordo buscava contornar essas dificuldades financeiras e judiciais.
Conexões e a “Turma do KN”
Camilla Ramos, responsável por procurar a AGU, era referida por assessores de Daniel Vorcaro como parte da “turma do KN”. Conforme revelado pelo Metrópoles, Daniel Vorcaro teria reservado uma mansão no Rio de Janeiro para as famílias do desembargador Kássio Nunes Marques e do desembargador Newton Ramos passarem o carnaval. Mensagens trocadas entre assessores de Vorcaro indicam que as negociações poderiam envolver diretamente o desembargador Newton Ramos, que atuou como juiz auxiliar de Kassio no TRF-1.
A recusa da AGU em negociar um acordo reforça a postura firme do órgão em relação aos precatórios questionados. A decisão do corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçcalves, de cancelar os valores bilionários e determinar a devolução ao Tesouro Nacional, é um indicativo da linha de atuação adotada pela União.













